quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

AS VIRTUDES UNIDAS SÃO MAIS FORTES. 110 ANOS DE VIRTUDES COMPARTILHADAS, SÃO UMA FORTALEZA.



Ainda posso lembrar a sensação vivenciada na primeira vez que entrei ali. Acredito que, naquele momento, estudante do terceiro ano, eu não imaginava tudo que aquele lugar se tornaria para mim.
Era um sonho de longa data, que me acompanhou desde as brincadeiras pueris de “o que você vai ser quando crescer?”.
Sempre soube que queria fazer Direito. Desde que tive o discernimento necessário, soube que queira ser advogada. E a Faculdade de Direito era um sonho.
Ainda lembro como se fosse hoje a sensação indescritível e inigualável ao receber o telefonema do Juarez e da conversa, logo em seguida, com o Gustavo Brígido, que cobrou o pagamento da aposta... eu devia a ele duas latas de biscoito da mamãe.
O meu nome estava na lista. Lista de vidas que, de alguma maneira, a partir daquele resultado, estavam fadadas a escrever uma história em comum.
Entre o resultado e o início das aulas tudo era expectativa. O dia da matrícula no campus do Pici, foi mais um desses dias memoráveis.
Lembro da Fabíola, que na época era do C.A. (eu não fazia menor ideia do significava tal sigla), me entregando um folheto, que até hoje guardo, e um pirulito. Ao ler o folheto descobri que, a partir daquele momento, era uma bichete e que aquele pirulito, generosamente ofertado, era minha ração.
Lembro ainda que, enquanto esperava na fila para fazer a matrícula, vi chegar o professor Walmir e fui cumprimentá-lo. Percebi uma dose extra de orgulho e satisfação que havia no sorriso habitual do meu professor por três anos seguidos e logo entendi o motivo. Fui apresentada ao seu filho Raphael que também estava ali para fazer sua matrícula. Lembro de mais alguns rostos que ainda não eram nenhum um pouco familiares e que eu nem imaginava a importância que passariam a ter na minha vida.
Recebi mais alguns panfletos de projetos de extensão e sai dali transbordando felicidade e com algumas folhinhas que não cansaria de ler até decorar e ficar imaginando tudo que viveria naquele mundo novo que começava.
E o sonho se tornou realidade em março de 2005, quando retornei àquele lugar do inicio da narrativa, nesse momento, não mais como observadora externa daquele mundo desconhecido, mas como “bichete” da FD. Ainda posso sentir aquela emoção indescritível em palavras.
E um mundo novo se abriu. E uma paixão nova foi despertada em mim. Passei a amar não só o Direito e a profissão que escolhi para mim, mas passei a amar aquele lugar e tudo o que ele significava e significa.
E, como toda paixão, essa foi arrebatadora. E eu me entreguei.
Posso dizer que, desde aquele 8 março de 2005, tudo, de alguma forma, tem uma ligação com aquele lugar.
E a minha trajetória foi e é de entrega e descoberta.
Entrega à capacitação e curta participação no Centro de Assessoria Jurídica Universitária; à participação da diretoria de 3 gestões do CACB enquanto estudante da graduação e uma como estudante da Pós Graduação; à Reforma - que, para acontecer, além de termos conseguido a verba junto ao então Deputado Inácio Arruda, tivemos que passar as férias dentro dela encaixotando livros para que a reforma pudesse começar - da Biblioteca; ao projeto e realização da I Semana do Direito, no ano de 2006; à participação na organização das 7 edições da Semanas do Direito ocorridas até aqui; ao Grupo de Teatro, em seus primórdios; ao Grupo de Cinema e Literatura, também em seus primórdios; ao Núcleo de Estudos de Ciências Criminais; às Sonus; ao Escritório Modelo; à monitoria; às organizações de calouradas. Bichurrascos, saraus, semanas de recepção dos calouros e afins; entrega ao Programa de Pós Graduação;
Descoberta dos melhores anos da minha vida, dos melhores amigos e das experiências mais ricas.
E hoje, esse lugar, completa 110 anos de existência.
Nesse momento, eu posso de falar de números: R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinquenta mil reais) de verbas conseguidas durante a gestão Caminhar e Agir, nos anos de 2005 e 2006, sendo R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) de dotação orçamentária solicitada pelo Deputado Inácio Arruda e R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) pelo Senador Tasso Jereissati. Verba essa destina às reformas estruturais que incluem a adaptação da Faculdade ao acesso de deficientes físicos, com a construção de elevador e banheiro adaptado, além da reforma do “Prédio Novo”, que proporcionou a criação de novas salas de aula, e, ainda, a construção do prédio administrativo anexo com 355,00 m², que nos trouxe espaço físico que viabilizou o desenvolvimento do de doutorado. Sem contar com os 50.000,00 (cinquenta mil reais) de dotação orçamentária solicitada pelo Deputado Pimentel para compra de livros novos para biblioteca, conseguidos pela gestão Consolidando e Construindo, nos anos de 2004 e 2005, além dos R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) já executados no ano de 2006, especificamente na Biblioteca da Faculdade (Inácio e Pimentel).
Nesse momento, eu posso falar de nomes, de figuras de inegável e inestimável importância, que foram responsáveis, direta ou indiretamente, pela revitalização estrutural da nossa Centenária Instituição de Ensino, como Tarcísio Nogueira de Paula, Julio Brizzi, Rudson Rocha, Alander, Holanda, Rodrigo Rocha, dentre tantos outros.
Eu posso falar das dificuldades enfrentadas para que fosse possível tirar esses números do papel e transformá-los na realidade que hoje temos o privilégio de assistir.
Entretanto, acredito que mais importante do que falar de qualquer desses pontos, é falar sobre a nossa motivação para cada um de nossos atos e sobre tudo o que a Faculdade de Direito significa.
Em um de nossos discursos de posse, dissemos que estávamos dispostos a construir ações sólidas, que queríamos que nossas gestões passassem, que nossos nomes passassem, mas o que construíssemos ficasse.
Orgulha-nos ver hoje que isso aconteceu. Todo esse trabalho desenvolvido ao longo desses anos vai ficar. O nome de nossas gestões irá passar. Saímos da faculdade e nossos nomes são só mais alguns nas placas de formatura, mas o que construímos ficará e nada pode mudar isso.
Como ficou e ficará o nosso amor por essa Instituição de Ensino. Amor esse que seguiremos transformando em ações, enquanto nos for permitido.

À Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará, minha eterna gratidão.